Renan Marques Franklin – Superando o luto: uma visão orientalizada

Texto pelo profissional de Psicologia Renan Marques Franklin, da equipe da clínica Archés

Superando o luto: uma visão orientalizada

A morte é um tema presente em todas as sociedades. Cada pessoa possui uma forma diferente de lidar com ela, pois agrega significados diferentes de acordo com as crenças sociais e pessoais. Mas independente da crença, é certo que é uma etapa sem volta (ainda que como fim ou apenas fase dentro de um ciclo). Por isso, o processo de luto por parte dos parentes e amigos do falecido é essencial.

O luto é um processo de reconstrução psicológica frente á uma perda (morte, relacionamento, bens materiais), que consiste na reestruturação de planos, da autoconfiança, da identidade. Mas porque utilizamos este termo, “perda”? Realmente tínhamos posse do que foi “perdido”, ou será que algo que pertencia ao mundo se distanciou? De fato, esse sentimento de posse está muito ligado ao pensamento ocidental.

No Hinduísmo (cultura oriental), existe uma trindade divida onde participam Shiva (o deus da destruição), Brama (o deus da criação) e Vixnu (o deus da preservação), mas ainda assim Shiva é adorado pois embora destrua, desta destruição é possível reconstruir e transformar. O Uroborus (dragão ou serpente mordendo a própria calda) e a Roda de Samsara são representações orientais que podem representar esta ideia de renovação.
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Representação do Uroborus

 

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Representação da Roda de Samsara
Muitos jovens utilizam vestimentas pretas. O preto, cor do luto, pode expressar o luto da criança que vive dentro delas, mas a partir disso, é possível que surja o adulto.  Vemos esta cor sendo utilizada por jovens de movimentos que buscam uma reformulação da sociedade, de seu funcionamento e estruturação, costumam usar preto. Punks, rockeiros, e mais recentemente os “blackblocs”, movimentos estes que se utilizam do preto como símbolo para expressar a desconstrução, desconstrução de paradigmas, de verdades nem sempre verdadeiras, que precisam muitas vezes ser descontruídas para que possam ser repensadas e com isso evoluírem.Frente á morte, o preto presente nos funerais ocidentais representa a dor. Somos jogados no escuro ao percebermos que estamos diante de certezas que podem acabar, nos apoiamos em ideias, ideais, pessoas que servem como exemplo, que nos identificamos, que nos inspiramos, que confiamos, mas que podem deixar de ser concretas. Somos jogados na incerteza, mas aí se abre uma oportunidade, para que possamos utilizar as peças do que foi descontruído, ou seja, princípios, exemplos, inspirações, e possamos construir um novo caminho nosso, e que por mais que não tenhamos mais a pessoa querida próxima, seus ensinamentos nos acompanharão em uma nova estrutura que nos é própria.

Por isso, é fundamental que o processo de luto seja vivenciado da sua forma mais verdadeira, para que somente após isso, o que nos sobrou de positivo da experiência vivida junto á pessoa possa ser positivamente aproveitada. A psicoterapia pode auxiliar em uma reestruturação construtiva de significados após as diversas “perdas” em que somos jogados durante a vida.
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